Mistress America

imrsNão conheço a obra completa de Noah Baumbach, mas ele sabe falar sobre ser jovem. Prova disso são seus dois filmes Frances HA e Mistress America, ambos roteirizados por ele e por sua fofíssima esposa Greta Gerwig.

Para quem já viu o sensível  Frances HA, é bom saber que Mistress America tenta seguir por essa linha, mas tem uma pegada diferente. O filme de 2015, de roteiro original, é protagonizado por Tracy, uma adolescente  que acabou de se mudar para Nova York e entrar na faculdade. Como quase qualquer aspirante a escritora Tracy é introspectiva e tem dificuldades em fazer amigos, quando comenta isso para sua mãe ela sugere que a filha saia com sua futura meia irmã, filha do seu futuro padastro, Brooke (Greta Gerwig). As futuras irmãs se conectam imediatamente e Tracy se encanta pela desenvoltura de Brooke e sua vida “cool”.

Brooke nos é apresentada sem delongas, em apenas uma noite com a irmã mais nova a personagem se mostra festeira, independente, moderna e tem todas as qualidades que faz qualquer garota de 18 anos faminta pelo mundo se apaixonar e idolatrar.

A fórmula é a mesma de Frances HA; uma adulta que, apesar da idade, não tem sua shit together, ou seja, tem a vida bagunçada assim como quando tinha ao vinte anos. Brooke é uma personagem distante, ela é tanta coisa que acaba sendo nada. A atuação de Greta Gerwig está distante do que ela fez com a queridinha Frances Halliday, em Frances HA. Aqui, a vontade que dá é de sentar com ela e pedir que fale mais dela mesma, porque não dá para conhece-la, o que é estranho já que tudo o que o filme faz é nos mostrar quem é Brooke. Isso me leva a crer que talvez a personagem seja uma metáfora, um conceito sobre essa geração de 30 tão perdida quanto a de 15.

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Mistress America junta as peças na última cena, quando a protagonista Tracy conclui que não há mais lugar para pessoas como Brooke no mundo, que rezam para estar do outro lado (composto de uma vida chata, casamento e filhos) mas não conseguem. Brooke era muito mais que isso e por mais que quisesse jamais estaria do outro lado. Ela representa aquela pessoa que dá esperanças para outras mais jovens, aquelas que sonham em viver fora do check list de faculdade e emprego em um escritório. Mas mesmo fora desse check list Brooke teria uma vida solitária porque assim é a vida de quem tem a missão de ser a esperança.

O ruim do filme foi romantizar o  problema dessa geração, que é nunca fazer nada ou fazer tudo e estar perdida ao mesmo tempo. Não se trata de um problema tão sério e preocupante, mas Mistress America faz parecer que tudo bem você seguir a vida pulando de galho em galho, afinal, a vida é mais que uma carreira profissional. Se isso é bom ou ruim, você que decide.

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A mensagem clara que encerra o filme é fofa, apesar de meio clichê: o que Brooke fez com Tracy foi incentivá-la a ir por ela mesma, sem depender desesperadamente de grupos que a aceitem. No entanto, os diálogos apenas oks e o carisma de Greta não foram  suficientes para fazer do filme ótimo, as piadas no entanto se tornaram uma surpresa, então se quiser ver algo light mas não vazio e dar uma risadinhas, Mistress America é o seu filme.

‘Como Eu Era Antes de Você’ me fez querer mais

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Acabo de voltar de uma sessão de Como Eu era Antes de Você com certo remorso por não derramar nenhuma lágrima sequer  e pelas garotas do meu lado terem chorado por elas e por mim. É com um pesar que hoje percebo que entendo as pessoas que torcem o nariz para filmes hollywoodianos de massa. Mas, veja bem, isso não quer dizer que não vou continuar gostando de Bridget Jones ou Deadpool , mas sim que existem grandes chances de  continuar saindo com a cara enrugada de uma sessão de filme mal feito, desses feitos sem um pingo de profundidade só para vender. Mas antes vamos ao que se trata: o filme citado.

Como Eu era Antes de Você é a adaptação cinematográfica do livro homônimo roteirizado pela própria autora (Jojo Moyes), que conta a história de Louise, uma garota de 26 anos que precisa ajudar os pais financeiramente e que aceita trabalhar como cuidadora do rico Will, homem de 31 anos que sofreu um acidente há 2 anos e ficou tetraplégico. A partir daí o filme fica  uma mistura de A Bela e a Fera com Tudo por Amor (aquele clássico da Sessão da Tarde no qual Julia Roberts cuida de um rapaz com câncer e acaba se apaixonando por ele).

Louise é energética, sorridente, animada e assim como se veste como uma criança de 7 anos age dessa forma, fazendo tudo com a excitação e bom humor de uma garotinha. Já Will é mau humorado, odeia conversar e no início trata Louise muito mal. Já podemos esperar então o rapaz deficiente se abrindo aos poucos com Louise e ambos mudarem um ao outro, um romance surge e, claro, tem que vir lágrimas no final. Acontece que as lágrimas não vieram pra mim.

Apesar do carisma de Emilia Clarke (Louise), a personagem não convence tão bem e os personagens do filme tem que dizer mais de uma vez que Will está sofrendo tanto ao ponto de considerar uma eutanásia. Eles precisam repetir isso tantas vezes para ver se o público acredita porque  Sam Claflin (Will) transparece muitas coisas ao interpretar o tetraplégico, mas nenhuma delas  é sofrimento. Dor, rancor e tristeza são coisas que o ator parece não ter aprendido a interpretar nas aulas de teatro. Pena.

E então os dois de apaixonam e o trágico final encerra o filme, quase implorando para chorarmos  é tudo tão superficial e previsível que flashes de sono passaram por mim o tempo todo, até fiz trança no cabelo!

Veja bem, gosto de romances e gosto de filmes hollywoodianos, mas Como Eu era Antes de Você veio para provar que não consigo engolir mais qualquer coisa.

Chame de chatice ou do que quiser. Sempre tive raivinha daquelas pessoas que falavam mal de Harry Potter, livros da Marian Keys e uma caralhada de livros que foram feitos para públicos que não tem o hábito de ler. Eu penso que nem tudo precisa ser rebuscado e complexo para ser bom e ainda acho isso, o problema é que quando você já leu tantos livros e viu filmes com o mesmo final e a mesma trama passa a se entendiar e um belo dia você está vendo Donnie Darko por diversão e, o pior de tudo, entendendo! (a fase do entender não cheguei ainda).

Não se trata de arrogância, se trata de que você simplesmente passa a querer mais do que esses filmes oferecem. 

Ainda acredito que livros e filmes assim são importantes, afinal, são uma porta para filmes e livros mais “complexos”. Ninguém começa lendo com Kafka, eu por exemplo comecei por Meg Cabot e não me envergonho disso, acontece que não quero pagar por um livro nem por uma sessão de cinema e sair de lá sem sentir nada, como se não tivesse aprendido nada, com minha mente exatamente como era antes de eu ter lido ou assistido aquilo e a história daqueles personagens simplesmente se desvanecerem até eu dormir e esquecer.

 

Tame Impala

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Vamos falar de Tame Impala? Vamos!

Escrever sobre música pra mim é sempre um parto, talvez até mais que escrever sobre livros e filmes. As três coisas que mais amo nessa vida, mas que, por algum motivo, é dificílimo escrever. Afinal, como passar paras palavras algo que só dá pra sentir? Descrever a sensação e o amor pela arte é um dos desafios da minha vida, e que, vez ou outra, me faz cair em uma fórmula horrenda que deixa meu texto igual ao outro, que está igual ao outro.

Anyway.

Misture Michael Jackson com The Beatles e John Lennon e se tem Tame Impala. Será que poderia parar por aí? Não né.

Dia desses eu estava assistindo o show deles no Lollapalooza Brasil e comentei para minha irmã que o som deles preenche o cérebro inteiro.

Como assim?, ela perguntou. E eu respondi;

Bom, quando escutamos uma música ela fica se passando em um canto da nossa cabeça, dá para fazer outras coisas, ler um livro, pensar no crush, devanear…mas não com o Tame Impala. Alguma coisa ali preenche sua cabeça de uma maneira total e completa que te deixa em transe. Não dá para sair do ciclo colorido até a faixa acabar. Seria a melodia? O arranjo? O exagero de sintetizadores e efeitos na voz? O deslizamento que a música provoca no seu corpo? Ainda estou tentando descobrir, mas não dá para fazer isso enquanto estou zumbi ouvindo a voz falsete do Kevin Parker cantar Let it Happen.

É isso que o a banda faz com você. E o pior, com um fortíssimo apelo pop.

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Antes de mais nada, Tame Impala não é uma banda de rock n’ roll. Por que? Primeiro porque, nas palavras do dono da coisa toda, eles não são uma banda e não tocam rock n’ roll ( a segunda justificativa já é manjada). Tudo começou lá em 1999 quando o australiano Kevin Parker (vocalista, compositor e guitarrista) e o baixista  Dominic Simper começaram a compor, mas o projeto só foi batizado oficialmente  em 2007  e o 1º álbum lançado em 2009. Sem delongas Innerspeaker estourou pela pegada rock anos 60 . A 1ª faixa, It Is Not Meant to Be conquista logo de cara com Kevin falando sobre sua ex-namorada e como “não era para ser”. Fofa e triste.

Em 2012 chegou o segundo disco, Lonerism, com hits grandes como Feels like we only go backwards (plágio ou não? Você decide).

Já em 2014 a banda lançou seu disco mais pop até então, Currents, causando amorzinho em fãs e raiva em outros. Kevin Parker chegou a comentar que não deveria haver culpa alguma em gostar de pop. E, de fato, não há problema nenhum desde que seja feito algo original e saia da fórmula barata. E é o que o Tame Impala fez em Currents.

Tame Impala é feito para perder o controle e sabe-se lá porque você fica escutando a mesma batida repetidamente junto com uma guitarra crua … Só sabe-se que é bom.É bom demais.

Oh, meu Deus! E por onde eu começo se quero conhecer a banda? Calma aí e ouve meu Top 5:

The less I know te better

Feels Like We Only Go Backwards

Its not mean to be

Let it Happen

Apocalypse Dreams

 

Tá todo mundo mal – Jout Jout

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Ler Tá todo mundo mal é igual assistir Jout Jout no Youtube, nos sentimos em uma conversa de bar onde ela fala, ali de boa, sobre suas neuras e rimos pois nos sentimos exatamente igual.

Para quem não conhece, Jout Jout é uma youtuber de  25 anos que acaba de lançar seu primeiro livro onda  fala sobre ela mesma, mas não de uma maneira egocêntrica, aqui, Júlia desabafa sobre pequenas crises que podem acontecer com todo mundo ao longo da vida.

Os textos/crônicas que Jout Jout escolhe contar para os leitores são simplesmente sobre a vida, o universo e tudo o mais, basicamente o que ela já fala em seus vídeos.

O que constatei assim que li a 1ª crônica chamada  “A crise da puberdade injusta”, foi que não é nada demais, mas não pelo lado negativo da coisa. Sim, não é nada demais porque a escrita de Jout Jout é leve e fácil de ler, mas o ponto positivo é que ela consegue fazer crônicas que cumprem exatamente a proposta, textos que são como uma conversa na praça sobre qualquer assunto.

Mas o que será que faz o livro, assim como os vídeos de  Jout Jout tão famosos? Bom, todos sentem e pensam as mesmas coisas que ela, mas Jout Jout faz e fala sobre sem pudor o que a faz ser a voz de uma geração. Aquela geração perdida, frequentadora de terapia, amedrontada por críticas e que luta contra  um emprego convencional e infeliz.

O grande diferencial aqui é que, ao contrário de Martha Medeiros ou Tati Bernardi, Jout Jout fala para uma geração mais nova que precisa mais do que tudo saber que tá mesmo todo mundo mal mas isso não nos faz anormal.

 

Filmes musicais

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Quem gosta de música e cinema sabe como é uma delícia ver um filme musical. E por musical  não quero dizer do tipo Grease ou Hair Spray, mas sim filmes que falam sobre música, têm uma trilha sonora mara e falam sobre composição, instrumentos e a magia da música. Música, música, música!

Pensando nisso, separei  uma lista de filmes para apaixonados por música, que se não vão te fazer sair para montar uma banda, irão, no mínimo, te fazer ouvir música no talo ou partir para uma festa.

Os piratas do rock

A trama gira em torno do protagonista Carl – lindo e bobo – que quer conhecer o seu pai e a única pista que sua mãe dá é que ele mora em um barco e é um radialista pirata de rock.

O filme se passa nos anos 60 na tradicional Inglaterra, década em que o rock ainda era mal visto. Além da rádio ser feita de rock and roll 24 horas por dias, cada locutor tem uma personalidade muito particular e toca, obviamente, seu estilo de música favorito. Além das piadas mixarem rock com verdadeiros costumes piratas, ver os protagonistas se entregando a cada música é divertidíssimo.

Detroit Rock City

Em 1978 quatro amigos adolescentes fanáticos por KISS fogem da escola e partem para Detroit, a cidade do rock, só para curtir um show da banda.

Piadas gratuitas e coisas nojentas que só adolescentes roqueiros conseguem fazer e falar (ou pelo menos os de filmes), transbordam no filme. A trilha sonora, além de muito KISS, é cheia de rock clássico farofa. Ótimo para ver com os amiguinhos comendo pizza e uma cerveja.

E se Nada der Certo

Gretta namora um cantor e compositor há muitos anos, até que ele consegue um contrato com uma gravadora e ambos se mudam da Inglaterra para os EUA. Quando o boy fica famoso, acaba a deixando e, sem mais nada a perder na vida, a moça resolve mostrar timidamente suas composições para Nova York, é assim que conhece o produtor Dan. Falido e sem fechar contrato com nenhum cantor bom há anos, ele vê muito potencial em Gretta e se encanta com seu talento e musicas sensíveis. É um filme docinho que vai te conquistar na 1ª cena.

Empire Records

Que climão grunge delícia é esse filme de 95! Com as musas da década, Liv Tyler, Renee Zellweger e Robin Tunney no elenco, o filme se passa em um dia de trabalho na loja de disco Empire Records, quando seus jovens vendedores descobrem que a loja vai ser comprada por uma rede sem graça e eles, junto com o gerente charmosão, vão tentar impedir. Ao longo do dia de trabalho, cada um dos jovens vão resolvendo seus conflitos, como Corey que quer deixar de ser a menina certinha, Debra que tentou se suicidar no dia anterior, A.J que quer se declarar para Corey…Enquanto isso muita música delícia na soundtrack que vai de AC/DC a The Cranberries.

Nick e Nora – Uma noite de amor e música

O filme se passa em uma noite só e começa quando os dois apaixonados por música Nick (Michael Cera) e Nora (Kat Dennings) se conhecem em uma noite novaiorquina enquanto buscam- com seus respectivos amigos – por um show secreto de uma banda indie que gostam ( se não é o primeiro encontro perfeito eu não sei o que é). Enquanto partem na busca ao tesouro, o mais novo casal de amigos aproveita para curtir a night e… aprontar muita confusão (piadinha).

Quase Famosos

Apesar do título ser sobre uma banda que está quase alcançando o auge em pleno anos 70, o protagonista é o jovem jornalista William. Apaixonado por música desde criancinha, William foi criado por uma mãe rígida e protetora, mas que mesmo assim deixa o filho partir em uma turnê com uma banda para escrever uma matéria para a revista Rolling Stone. O que ele não esperava era se apaixonar por uma das groupies da banda e se perder em meio a bagunça que é o mundo da música. Filme obrigatório para quem ama o mundo da música e principalmente do rock. Assista! ❤

Alta Fidelidade

Não tem como deixar de falar de música sem citar o fanático por música e vinis, Rob Gordon, personagem principal da adaptação do livro homônimo de Nick Horby para o cinema.

Rob é dono de uma loja de vinis à beira da falência que acaba de levar o pé na bunda da sua namorada. O acontecimento serve para ele dissecar cada um de seus relacionamentos anteriores, enquanto conversa com o telespectador sobre música, e como ela é importante para se avaliar alguém. Com um humor sarcástico, o filme discorre sobre relacionamentos e músicas junto com uma lista de referências da música pop. Impossível não gostar.

Apenas Uma Vez

Apesar de lindo e poético, não recomendo  para ser visto em domingos nublados e sozinha em casa.
O filme irlandês conta a história de um músico de rua que tem vergonha das suas próprias canções. Um dia ele conhece uma jovem carismática e encantadora mãe solteira que trabalha vendendo flores na rua. Ela gosta das músicas dele e logo ambos se aproximam e se encantam um pelo talento musical do outro. O romance melancólico se desenvolve enquanto ambos se conectam por meio da química musical.

O interessante desse filme é que os atores realmente cantam ( fizeram até turnê em conjunto tocando as músicas do filme), então nada de playback ou falsidade. Realmente um amor.

Adorável Professor

Baseado em fatos reais, Adorável Professor é a biografia do professor de música Mr. Holland’s, um compositor de música clássica frustrado que é obrigado a dar aula de música no ensino médio para manter ele e sua esposa. Assim como qualquer aspirante a artista, Mr. Holland’s tenta conciliar as aulas de seus alunos sem talento com a composição, mas fica tudo mais difícil quando a esposa engravida. Conformado com o papel de professor, ele se envolve cada vez mais nas suas aulas ao longo dos anos  60 e 80 e acaba tocando cada aluno de uma forma diferente por meio da música. Prepare os lencinhos.

Olhe para Viktoria Modesta

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Ouço Viktoria Modesta. Ouço e assisto Viktoria porque para pegar sua beleza completa preciso assisti-la. Ela caminha reto, sem tropeçar, esbanjando elegância. Seu corpo é esbelto e branquelo com o maxilar largo e os olhos tão claros  que formam aquela combinação  e contrastes lindos com o cabelo pretíssimo.

Sua voz é grave e a prova de que ela tem mais atitude e confiança do que talento. O que, no mundo das músicas com sentimentos é o que importa no fim.

O pop europeu não é inovador, mas tem poder. Deixe as batidas black music de lado, faça um som com excesso de sintetizadores e  unido com uma voz comum, mas grave e afinada, e uma inspiração 80’s e 90’s: se tem Viktoria.

Conheci essa mulher em um sábado a noite comum. Ela me foi apresentada pela minha irmã mais velha – não poderia ser diferente – com a seguinte introdução: “Você já ouviu uma cantora pop foda que não tem uma perna e é foda?”

Não, respondi. E foi então que a perna mecânica e brilhante de Viktoria Modesta surgiu na minha frente no clipe de Prototype. Um vídeo lindo e perfeito para se conhecê-la, mas com uma música sem melodia. Pena.

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Além do fato de ser uma cantora pop cheia de atitude e esquisitices a la Lady Gaga, Viktoria roubou meu coração pela sua confiança. Por ter pego seu ponto fraco e transformá-lo no ponto forte. Sim, ela não tem uma perna, mas ela é maravilhosa, e não poderia deixar de ser.

Tudo o que eu vi através de Viktoria foi a seguinte mensagem: não deixe de ser nada do que você quer por qualquer deficiência ou desabilidade. Seja você. E Viktoria é ela. Sexy, arrogante, dançarina, gostosa, uma cantora pop diva.

Quando apresentei Modesta para uma amiga, ela me perguntou se em todos os clipes  sua perna mecânica era tão enfatizada como no clipe de Prototype. Eu, de pirraça, respondi que sim pra ver o que viria a seguir. E o que veio, e acredito que possa vir da cabeça de muita gente, é que Viktoria usa o fato de ser deficiente pra ser uma cantora pop diferente e, como consequência, atingir a fama pela sua desabilidade e não pelo real talento.

Mas existe um outro modo de olhar para isso, o que eu prefiro. Modesta não usa sua deficiência para ser famosa, ela simplesmente sonhou em ser uma cantora pop, mas ops, cantoras pops são perfeitas e aparecem rebolando e quase peladas. De que outra maneira poderia fazer isso sendo que não tinha uma perna?  Assumindo sua deficiência de todas as formas e fazendo disso o seu diferencial. Ela fez o que eu já disse, pegou sua seu problema e transformou na solução. Pois um problema só é um problema para os outros se também for para você. A partir do momento que conseguimos suavizar as coisas, de verdade, ninguém é capaz de enxergá-lo como algo pesado.

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Eu vejo  nessa moça de 27 anos garotas  em cadeiras de rodas querendo se arrumar, vejo gordinhas usando blusas curtas porque querem simplesmente mostrar o umbigo, vejo quem não tem um membro escolhendo um corte de cabelo poderoso. Porque, mais uma vez, sua desabilidades e deificiencias não podem definir o que você é nem o que gosta.

Artista pop tem que ser “perfeita”? Há! Claro que não. Olhe para Viktoria. Ou seria claro que sim! Olhe para Viktoria?

A galesa que faz pop sincerão: Marina and the Diamonds

Marina-2  Vamos falar de gostosuras? Vaaamooos!

Marina Lambrini Diamandis veio lá da Grécia, tem uma voz grave e rouca deliciosa e seu novo álbum, Froot, é a prova de que cantora pop não precisa de ajuda de compositor e produtor para manjar das batidas. Como diz o quadro abaixo, roubado especialmente do site G1, nesse novo CD ela fez questão de provar que é capaz. E a moça é MUITO capaz!  Tão capaz que Froot é, até agora, seu melhor álbum.

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A moça de 30 anos compôs Froot quando notou que não queria mais depender de produtores para compor suas batidas, na mesma época em que percebeu que a depressão não fazia parte de sua personalidade e que ela – viva! –  estava melhorando!

E por que será que Marina and The Diamonds  consquistou a mim e minhas amigas e é diferente das cantoras pops de hoje?  Simples, Marina ainda está naquela fase onde quer e consegue fazer o som que gosta (assim como Katy Perry no seu 1º CD). Mas nem tudo é rosa, seus primeiros álbuns não foram assim, e se prestar atenção, as músicas parecem uma cópia do que já estava por aí. Não dizendo, de novo, que o som dela hoje é inovador. Não é, mas dá pra sacar que é sincero, e cara, eu gosto de sinceridade na música. Dá pra sentir quando a mocinha e o mocinho não compuseram uma frase sequer na letra e não tiveram nem um dedinho na escolha de uma nota ou  arranjo.

As cantoras que Marina ouvia estão bem presentes nas suas composições e linhas vocais. Fiona Apple está ali em músicas como Robot e Obsessions, Madonna em Shampain e Primadonna, e Courtney Love e Shirley Manson (do Garbage ) em E.V.O.L (ouso até dizer que essa música tem um Q de Personal Jesus do Depeche Mode. Ouçam e me digam aí nos comentários).

Além das letras inteligentes, a voz  importa  mais do que o arranjo em algumas músicas. E não vou mentir, certas canções de Marina,  ouço mesmo por causa da voz e não devido ao refrão chiclete. Essa morena linda tem um timbre tão poderoso e cheio de sentimentos que fico impossibilitada de desacreditar que ela realmente não quer dizer o que está saindo pela sua boca. É prazerosa a maneira como ela casa rouquidão, técnica soprano, vibrato excessivo e grave de um jeito que me faz esperar qual será a próxima nota e melodia que vai usar no refrão.

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E agora? Quer conhecer Marina? Vem na minha!

Comece bem com seu 1º CD, “The Family Jewels” – 2010. O álbum, nas palavras dela, é uma mistura de estilo e sons experimentais. Ouça Shampain pra já sair dançando logo ( a música totalmente 80’s que me conquistou de primeira).

Depois passe para Robot e seja feliz com o restante.

Espere até o refrão.

Para um pop dark (aviso de invenção de um novo estilo!) vai logo ouvir “Froot” – 2015

Se essa música não é poder:

Quem quiser cair de boca num POPPOP, vá para seu 2º  CD, 2012, “Electra Heart”. Álbum conceitual onde Marina discorre sobre o tema de ser adolescente. A moça fez tão direitinho que até criou uma personagem para contar a vida das jovens  na sociedade americana.

 Agora vai logo baixar a discografia!